sexta-feira, 7 de maio de 2010

*BICAS RECEBE SEU "MEMORIAL DO FERROVIÁRIO".


Abrindo os festejos do dia 1° de maio, dia do trabalhador, a Prefeitura de Bicas inaugurou o "Memorial do Ferroviário", localizado nas dependências da rodoviária municipal, antiga estação ferroviária de Bicas.
Num cuidadoso e bem elaborado trabalho realizado pela historiadora Rosália Mayrink Corrêa, os visitantes podem agora conhecer um pouco da história da ferrovia em nossa cidade, mola mestra para o nascimento e o desenvolvimento de Bicas.
São livros, peças, ferramentas, fotos e pinturas que nos remetem aos tempos em que a velha Maria-Fumaça desfilava sua elegância pelos trilhos que cortavam as ruas da cidade, que o apito das oficinas era a referência do horário de todos os trabalhadores biquenses e que o SENAI formava novos e qualificados profissionais para nossa indústria.
Foi realmente sensacional ver ferroviários hoje aposentados e seus familiares apreciarem as peças e todo o material exposto, trazendo a nostalgia dos bons tempos vendo-se grande emoção estampada no rosto de todos os visitantes.
Como possivelmente o último ferroviário remanescente da antiga RFFSA, eu não podia ficar de fora deste maravilhoso evento e curtir a emoção dos veteranos.
Parabéns a Secretaria Municipal de Cultura pelo resgate de nossa história.
Da esquerda para a direita, de pé, os ferroviários Haroldinho, Brandão, Luiz Antônio, Vicente Cunha, Magela, Carreiro, Osvaldinho, Vicente Rossi, Sebastião Aquino, José de Melo, Arnaldo, Chicão, Tuim, Olympio, Zenoni, Maury, Honorio e Carlos Augusto.
Agachados: Edilson Capota, Nem Cunha, Amarildo Mayrink, Zequinha e Homero Cândido.
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3 comentários:

  1. Sonhos são feitos para isso: para serem realizados. Principalmente aqueles que são legítimos e atendem à necessidade que qualquer coletividade tem de recompor, honrar e manter sua memória. E Bicas é isso. E nós, biquenses, somos isso. Nossos corações batem com o apito da locomotiva.E o da oficina. Chamando para o trabalho ou para as aulas no Liceu. Nossos passos seguem esses trilhos. E através deles chegaram centenas de famílias de imigrantes e migrantes, para fazer vida com o café que então era um tesouro.Nossos olhos mantém vivos no fundo na retina as paisagens que passavam pela janela quando de nossas infindáveis viagens da infância.E o sabor das merendinhas que era impossível não levar...
    Só o que me faz triste, nisso tudo, é saber que virou museu. Mesmo quando o Museu é esse coisa linda linda linda que conseguiram fazer em Bicas. Porque eu queria mesmo é que nada disso fosse passado. Não só por saudosismo, mas porque a extinção da ferrovia, ou de parte dela, foi um golpe mortal na possibilidade de futuro de muitas famílias, de muitas cidades, e da própria riqueza de nosso país...Vamos então por aí, aturando o estrago dos caminhões em nossas ruas e estradas, cada vez mais dependentes do petróleo...
    Mas deixemos disso. É dia de festa. Parabéns a cada um que esteve envolvido nesse projeto. Com sangue, suor e lágrimas. Afinal, tudo nasce assim, na entrega e doação de uns tantos.
    Parabéns! parabéns! parabéns! É o que grita minh'alma lavada...

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  2. MEMORIAL DO FERROVIÁRIO

    Uma idéia torna-se realidade, quando a colocamos em prática e legitimamos. Assim aconteceu com o Memorial do Ferroviário. Ao idealizar o projeto, segui inicialmente a “veia genética”, um chamado de filha de ferroviário, e de todos os outros que trabalharam na RFFSA e suas Oficinas.
    Sentia nas conversas, um saudosismo, que exigia o resgate da memória da Ferrovia, marco de emancipação e desenvolvimento da cidade de Bicas. Busquei então, através de contatos com ex-ferroviários, a organização de uma listagem de todos que residiam na cidade, aos quais fiz uma visita, e muitas vezes era necessário retornar, para uma maior conscientização da necessidade de se preservar a História da Ferrovia e tentar conseguir algum acervo.
    A primeira visita ocorreu no ano de 2005, e a cada visita havia o incentivo devido aos depoimentos emocionados dos trabalhadores, cujas vidas e de seus familiares estavam ligadas a um passado recente, cujo marco era o apito do trem e das Oficinas.
    Nessa pesquisa histórica comecei a idealizar os painéis, imaginando que eles deveriam ter uma seqüência que resgatasse as Oficinas. O primeiro deveria ser o portão e a vegetação, sempre presente durante sua existência.
    Era também de fundamental importância que se registrasse a presença marcante dos trilhos da Ferrovia, o que me levou ao painel final do Memorial, cuja montagem tridimensional no leva a imaginar que caminhamos sobre eles.
    Á esquerda, da Primeira Sala, ficaria o painel da Maria Fumaça, ícone fundamental dos sentimentos de nossos ferroviários, e outro de uma das máquinas utilizadas por eles. À direita, o painel do SENAI e das Oficinas, mostrando o aprendiz e o profissional trabalhando e escrevendo a história, e ainda, a Estação de Bicas, ponto de encontro de nosso povo.
    A segunda sala mostra o SENAI e o LICEU OPERÁRIO, cujos ensinamentos acompanham os filhos de ferroviários, em sua vida social e profissional, moldando o caráter de cidadãos conscientes, politizados e inseridos na história de sua cidade e de seu país.
    Na terceira sala ficaria o painel dos Trilhos e os quadros que comporiam o ambiente, que reporta à infância e juventude de todos, que de alguma forma estão ligados pelo sentimento aos minérios da ferrovia.
    Nas paredes laterais, achei interessante que se colocasse o contorno de Locomotivas, para que o ambiente se suavizasse e também nos lembrasse de que, projetos se efetivam.
    As peças arrecadadas foram distribuídas seguindo um padrão que as inserisse no contexto de cada sala, levando ao visitante a se sentir parte integrante de um momento, que era ao mesmo tempo, passado e presente.
    Após 5 anos de pesquisa e muita dedicação, é inaugurado no Dia do Trabalhador o Memorial do Ferroviário, com a presença maciça de muitos deles, que se confraternizaram e relembraram os momentos vividos nas Oficinas, SENAI e LICEU, registrando em fotos e abraços, a alegria de um sonho realizado.
    O que me leva a sentir força, não é o orgulho da concretização de um ideal, porque isso seria muito pouco, diante da grandeza da História da Ferrovia em Bicas e de sua influência na vida de todos nós biquenses.
    O ser humano não se destaca por seus atos considerados grandiosos, mas, pela sua luta a favor da realização de idéias comuns, que eternizam o Patrimônio Cultural de seu povo e resgatam no ser humano a certeza, de que o Ontem se faz no Hoje, numa eterna mutação.
    Que todos nós sejamos “escritores de nossa História”, pois os ideais nascem do interior, e nossos sonhos precisam acordar e fazerem a realidade, integrando todos os lados desse labirinto que é viver.





    Rosália Mayrink Corrêa - Historiadora e Pós-Graduada em Educação Religiosa.

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  3. Como filha de Walter Lhamas Ferreira, fiquei muito feliz em ver as fotos do novo MEMORIAL DOS FERROVIÁRIOS de Bicas. O painel com a via férrea é especial!
    Meus cumprimentos efusivos para Rosália Mayrink Corrêa que fez um belíssimo trabalho. Espero que ela tenha aproveitado fotos que Papai tinha em seu acervo.
    Que a memória especial que cerca a ferrovia não se perca!
    Abraços especiais para os ferroviários que nunca serão “ex”, pois sei que carregam em seus corações, para sempre, o amor pela ferrovia.
    Terezinha Lhamas

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