quinta-feira, 31 de março de 2011

*OS NÚMEROS DO CÂNCER EM BICAS EM 2010.

Trago aos leitores um resumo do resultado do Levantamento sobre Portadores de Câncer no ano de 2010 que realizei em Bicas junto aos postos do PSF - Programa de Saúde da Família e que contou mais uma vez com a competência, com a disponibilidade e atenção dos Agentes de Saúde, Enfermeiras, Técnicas de Enfermagem e médicos, que matem um arquivo de dados e uma organização em seus trabalhos que nos permite obter o sucesso desejado na realização deste levantamento, tornando-se uma fonte de informações mais próxima possível da realidade sobre a incidência da doença em Bicas, levantadas nos registros dos cinco postos do "PSF – Programa de Saúde da Família" que cobrem todos os bairros e ruas de nossa cidade e a zona rural.
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Antes de apresentar os resultados do levantamento, é de extrema importância relembrar da proposta de ações de prevenção que fiz à dois anos atrás, onde apenas a questão da capina química foi resolvida, não por sensibilidade, bom senso ou preocupação com a saúde pública por parte do prefeito e dos órgão públicos que ele governa, mas pela luta incansável que travei para eliminar esta prática irresponsável que culminou com a denúncia ao Ministério Público, que agiu prontamente proibindo a capina química e ordenando a revogação da lei absurda que a instituía.
Além da capina química, pesquisei mais três frentes de possíveis causadores, motivadores ou provocadores dos elevados números da doença, não que apenas estes pudessem sê-lo:
- A água que consumimos, seja da COPASA ou das inúmeras minas espalhadas por nossa cidade;
- A antiga indústria de caulim e seus rejeitos, que existiu no final da Reta;
- As torres e antenas de telefonia celular;
Os indícios recomendam como parte destas "ações preventivas", que sejam iniciadas ações concretas nas três frentes citadas acima:
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Águas das minas de Bicas - Faz-se necessária uma análise completa, ou seja, “bacteriológica, físico-química, série fosforada e principalmente verificação de presença de metais pesados (rejeitos do caulim)” de todas as águas de Bicas (da COPASA, de todas as minas, das escolas rurais e da comunidade de Santa Helena) e que os resultados das análises das minas sejam amplamente divulgados para que a comunidade tome conhecimento do fato e da qualidade da água que estão consumindo.
Torres de celular - Temos uma Lei praticamente completa e totalmente desrespeitada, lei esta que regulamenta a instalação de torres e antenas de celular. Cabe à Prefeitura fazer com que se cumpram todas as exigências nela contidas. Só assim, poderemos no futuro fazer uma análise concreta sobre possíveis influências das torres de celular na incidência de câncer em Bicas. QUE SE CUMPRA A LEI!
Extração de caulim e seus rejeitos - Segundo a pesquisa que realizei, o caulim era extraído na Reta, depositado na Av. Bianco e beneficiado na área onde hoje funciona o almoxarifado. Diante de todas estas informações, recomendei à Secretaria de Meio Ambiente, a Secretaria de Saúde Terezinha e ao Prefeito Municipal Honório de Oliveira que, de forma preventiva, fosse feita uma análise de presença de metais pesados das águas de todas as minas de Bicas. Infelizmente nada foi feito até a data desta publicação.  
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Voltando aos resultados do levantamento, sempre é bom lembrar que não se trata de uma pesquisa baseada em informações técnicas como laudos laboratoriais de diagnóstico e do tipo específico de câncer, mas sim de um "Levantamento sobre Portadores de Câncer Segundo Informação de Morbidade Referida aos Agentes Comunitários de Saúde", entre 01 de janeiro de 2010 a 31 de dezembro de 2010, levantando as informações prestadas pelos moradores aos agentes de saúde residentes nos domicílios localizados nas áreas com cobertura dos PSF’s. Foram estes os dados levantados para chegarmos aos números aqui apresentados.
Neste trabalho, foram levantados os números de casos novos da doença especificando tipo de câncer, sexo, fumante, alcoolista, em tratamento e óbito.
Apresento a seguir, os números da incidência de câncer entre os anos de 2005 a dezembro de 2010.
Total de casos no período 2005/2010: 240;
2005 em todo o ano, 24 novos casos;
2006 em todo o ano, 30 novos casos;
2007 em todo o ano, 35 novos  casos;
2008 em todo o ano, 50 novos casos;
2009 em todo o ano, 50 novos casos;
2010 em todo o ano, 51 novos casos.
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O número de ocorrências em Bicas está classificado em 20 tipos distintos, contabilizados no período citado, destacando o número de casos de 2005 a 2010, em 2009 e 2010: 
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1° – O câncer de mama aparece em primeiro lugar no índice de casos novos no ano de 2010 em Bicas com 11 registros. Em números acumulados de 2005 a 2010 também aparece em primeiro lugar com 41 registros. Em 2009 foram registrados 7 casos novos.
2° - O câncer de próstata aparece em terceiro lugar no índice de casos novos no ano de 2010 em Bicas com 5 registros. Mas em números acumulados de 2005 a 2010 aparece em segundo lugar com 39 registros. Em 2009 foram registrados 10 casos novos.
3° – O câncer de garganta/laringe/faringe aparece em segundo lugar no índice de casos novos no ano de 2010 em Bicas com 6 registros. Mas em números acumulados de 2005 a 2010 aparece em terceiro lugar com 25 registros. Em 2009 foram registrados 4 casos novos.
4° – O câncer de estômago aparece em quarto lugar no índice de casos novos no ano de 2010 em Bicas com 4 registros. Em numerosa acumulados de 2005 a 2010 também aparece em quarto lugar com 18 registros. Em 2009 foram registrados 7 casos novos.
5° – O câncer de pele também aparece em quarto lugar no índice de casos novos no ano de 2010 em Bicas com 4 registros. Em números acumulados de 2005 a 2010 aparece em quinto lugar com 16 registros, sendo 1 melanoma (o mais grave). Em 2009 foram registrados 7 casos novos.
6° – O câncer de colo do útero aparece em segundo lugar no índice de casos novos no ano de 2010 em Bicas com 6 registros. Em números acumulados de 2005 a 2010 aparece em sexto lugar com 15 registros. Em 2009 não houve registro de casos novos.
7° – O câncer de cólon e reto aparece em quinto lugar no índice de casos novos no ano de 2010 em Bicas com 3 registros. Em números acumulados de 2005 a 2010 aparece em sétimo lugar com 14 registros. Em 2009 foi registrado 1 caso novo.
8° – O câncer no cérebro/cabeça também aparece em quinto lugar no índice de casos novos no ano de 2010 em Bicas com 3 registros. Em números acumulados de 2005 a 2010 aparece em oitavo lugar com 11 registros. Em 2009 foram registrados 2 casos novos.
9° – O câncer de intestino aparece em sexto lugar no índice de casos novos no ano de 2010 em Bicas com 2 registros. Em números acumulados de 2005 a 2010 aparece em nono lugar com 10 registros. Em 2009 foram registrados 2 casos novos.
10° – O câncer de pulmão aparece em sexto lugar no índice de casos novos no ano de 2010 em Bicas com 2 registros. Em números acumulados de 2005 a 2010 aparece em décimo lugar com 7 registros. Em 2009 foi registrado 1 caso novo.
11° – O câncer no pâncreas aparece em sétimo lugar no índice de casos novos no ano de 2010 em Bicas com 1 registro. Em números acumulados de 2005 a 2010 aparece em décimo primeiro lugar com 6 registros. Em 2009 foi registrado 1 caso novo.
12° – Os tipos de câncer de perna/calcanhar também aparece em sétimo segundo lugar no índice de casos novos no ano de 2010 em Bicas com 1 registro.  Em números acumulados de 2005 a 2010 aparece em décimo segundo com 5 registros. Em 2009 foram registrados 2 casos novos.
12° – Os tipos de câncer de fígado não teve registro de casos novos no ano de 2010 em Bicas.  Em números acumulados de 2005 a 2010 aparece em décimo segundo com 5 registros. Em 2009 foi registrado 1 caso novo.
13° – Os tipos de câncer de boca também não teve registro de casos novos no ano de 2010 em Bicas.  Em números acumulados de 2005 a 2010 aparece em décimo terceiro com 3 registros. Em 2009 não houve registro de casos novos.
14° – Os tipos de câncer de rins/bexiga aparece em sexto lugar no índice de casos novos no ano de 2010 em Bicas com 2 registros.  Em números acumulados de 2005 a 2010 aparece em décimo quarto com 2 registros. Em 2009 não houve registro de casos novos.
14° – Os tipos de câncer de leucemia/ossos não teve registro de casos novos no ano de 2010 em Bicas.  Em números acumulados de 2005 a 2010 aparece em décimo quarto com 2 registros. Em 2009 foi registrado 1 caso novo.
14° – Os tipos de câncer de baço também não teve registro de casos novos no ano de 2010 em Bicas. Em números acumulados de 2005 a 2010 também aparece em décimo quarto com 2 registros. Em 2009 não houve registro de casos novos.
15° – Os tipos de câncer de vesícula, testículo e pleura também não tiveram registro de casos novos no ano de 2010 em Bicas. Em números acumulados de 2005 a 2010 aparecem em décimo quinto com 1 registro cada. Em 2009 também não houve registros de casos novos.
16° – O número de casos novos de câncer em Bicas em 2010 cujos tipos não foram informados foi de 1 caso novo.  Em números acumulados de 2005 a 2010 registrou-se 16 casos.
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Repito que apesar do grande índice de confiança que os Agentes de Saúde já conquistaram junto aos cidadãos que acompanham, sabemos das dificuldades enfrentadas pelos mesmos. Normalmente, os pacientes e suas famílias não gostam de comentar sobre o fato. Só aqueles agentes que atuam em suas áreas há mais tempo conquistam a confiança das famílias, que vêem neles um ponto de apoio e respeito.
Reforço mais uma vez que os números deste levantamento demonstram a necessidade de investimentos por parte do Município em um sistema municipal de vigilância do câncer e no desenvolvimento de ações abrangentes para o controle da doença, nos diferentes níveis de atuação, como: na promoção da saúde, na detecção precoce, na assistência aos pacientes, na vigilância, na formação de recursos humanos, na comunicação e mobilização social. É necessário todo o empenho na promoção de ações integradas do governo municipal com a sociedade para implementar uma nova política que reconheça o câncer como problema de saúde pública e estruture a realização de ações para o seu controle em Bicas, criando, se possível, uma Rede de Atenção Oncológica na Secretaria Municipal de Saúde, em consonância e participação direta e indireta do Governo Federal e da Secretaria Estadual de Saúde, das universidades, dos serviços de saúde, dos centros de pesquisa, das organizações não governamentais e da sociedade de forma geral. Dentre os componentes fundamentais, destacam-se a Promoção e Vigilância em Saúde, onde o sistema de informação configura-se como alicerce para a implementação das ações municipais em consonância com as ações estaduais e nacionais.
A iniciativa de se fazer este levantamento e a divulgação dessas informações buscam compartilhar e democratizar a reflexão a respeito do controle do câncer em Bicas, evidenciando o compromisso com a luta pela excelência nos serviços prestados à população.
Por fim, reitero acreditar que este trabalho possa promover uma verdadeira “sacudida” em nossa sociedade, nos poderes constituídos e principalmente em nosso Sistema Municipal de Saúde. Os números continuam a mostrar que se faz necessária mais atenção ao problema. Precisamos com urgência desenvolver ações preventivas em todos os âmbitos. Precisamos investir em campanhas esclarecedoras e mais incisivas. Todo investimento feito em "ações preventivas" será sempre menor que as altíssimas despesas oriundas do tratamento do câncer.
Repito: Não dá para esperar mais! É hora de ações concretas! 
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