24 maio 2009

*APRESENTAÇÃO OFICIAL DO LEVANTAMENTO DOS CASOS DE CÂNCER E RELATÓRIO. MAYRINK PEDE O FIM DA CAPINA QUÍMICA!

Foi realizado com grande sucesso, o 1° Simpósio de Saúde no dia 21 de maio de 2009 na Câmara Municipal de Bicas. No evento, além da apresentação oficial do trabalho que realizei em Bicas, aconteceram excelentes e esclarecedoras palestras de médicos e professores da faculdade de medicina da UFJF.
A Secretária de Saúde Terezinha Lanini fez a abertura do evento.

Em minha palestra, além da apresentação oficial do Levantamento dos Casos de Câncer em nosso município, apresentei também um relatório das quatro frentes pesquisadas como possíveis causadores ou motivadores dos números do câncer em Bicas. Aproximadamente há um ano, foquei minha atenção neste tema. Eram e são tantos os casos que tomamos conhecimento quase que semanalmente, fato que vinha me intrigando e me levando a questionar: Será que está ocorrendo algum tipo de problema em Bicas que justifique tal fato? Qual ou quais seriam estes problemas? Como encontrá-los com clareza de dados e informações que o evidenciem? Por onde começar? Comecei então a procurar respostas como quem procura agulha no palheiro. Verifiquei que seria um duro trabalho em todos os aspectos. Com poucas referências, iniciei o trabalho em quatro frentes de possíveis causadores, motivadores ou provocadores deste fato. Não que apenas estes possam sê-lo: - A água que consumimos, seja da COPASA ou das inúmeras minas espalhadas por nossa cidade; - A antiga indústria de caulim, no final da Reta; - As torres de telefonia celular; - A capina química adotada em nossa cidade.
Prefeito Honorio de Oliveira e a Secretária de Governo Denisy Marôco Durão.

Boas palestras despertaram o interesse do público presente.
Segue relatório de estudos das quatro frentes: RELATÓRIO DAS ÁGUAS DE BICAS. Ao iniciar este levantamento, confesso que não esperava encontrar maiores problemas envolvendo as águas e seu controle de qualidade em Bicas, em especial das minas existentes em toda a cidade. Antes de discorrer sobre o tema “a água e a incidência do câncer”, quero lembrar que só uma análise detalhada, principalmente a verificação da existência de metais pesados, poderá mostrar alguma relação entre as águas de Bicas e a incidência da doença. Até a realização desta pesquisa, acreditava que as minas passassem por análises periódicas, com intervalos máximos de um ano. Ao procurar as Secretarias de Meio Ambiente e o setor de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde, deparei com apenas três análises nos últimos quatro anos e três meses, sendo a primeira em setembro de 2005, a segunda em março de 2006 e a última em novembro de 2007, ou seja, há um ano e quatro meses não acontece uma análise das águas de Bicas. Outro problema: das três análises citadas, apenas uma – 2006 – foi físico-química e bacteriológica, uma análise mais criteriosa. As outras duas foram apenas análise bacteriológica. Outra observação importante: nestas análises, foram detectadas presença de coliformes totais em várias minas (recomenda ferver e filtrar) e coliformes “termotolerantes” (este de maior gravidade), ou seja, resistentes a temperaturas (fervura) em torno de 45°c. Entre elas, Gentil Corrêa de Almeida; Governador Valadares; Álvaro Dias. Também se enquadraram no grave caso (coliformes termotolerantes) o Bairro de Santa Helena (análise de 2005 e 2006) e a Escola Rural Val Paraíso (análise de 2006). Na análise bacteriológica de 2005, foi detectado coliforme total na água da Escola Rural Ataíde Suriano, sendo considerada “em desacordo” seguida da recomendação “ferver e filtrar”. Estes fatos me levam às seguintes constatações: 1- Em primeiro lugar, faz-se necessária uma análise completa, ou seja, “bacteriológica, físico-química e principalmente verificação de presença de metais pesados” de todas as águas de Bicas (da COPASA, de todas as minas, das escolas rurais e da comunidade de Santa Helena); 2- Que a partir de agora, sejam feitas análises bacteriológicas (semestral) e físico-química (anual) de todas as minas de Bicas, das escolas rurais e da comunidade de Santa Helena; 3- Que os resultados das análises das minas sejam amplamente divulgados para que a comunidade tome conhecimento do fato e da qualidade da água que estão consumindo; 4- Que as minas contaminadas sejam bem sinalizadas e lacradas nos casos de contaminações mais graves; 5- Persistindo a contaminação da água da comunidade de Santa Helena, que seja estudada uma medida de emergência para uma solução definitiva do problema.
Técnicos, funcionários da saúde e o público presente participaram do debate.


RELATÓRIO MINERAÇÃO DE CAULIM. Tendo sido procurado por vários moradores de nossa cidade que, ao tomarem conhecimento de meu trabalho, questionaram sobre a antiga mineração de caulim que existiu no final da reta, resolvi acrescentar este item em minha pesquisa, a princípio sem grandes compromissos. Mas bastou estudar um pouco mais este item para descobrir alguns indicadores que me incentivavam a continuar. Eis as descobertas: LITERATURA: Universitas: Ciências da Saúde, v. 4, n. 1 / 2, p. 83-100, 2006 ISSN: 1678-5398 83. Metais pesados provenientes de rejeitos de mineração e seus efeitos sobre a saúde e o meio ambiente. Daphne Heloisa de Freitas Muniz - Graduada em Química e pós-graduanda em Gestão Ambiental pela Universidade Estadual de Goiás. Eduardo Cyrino Oliveira-Filho - Pesquisador da Embrapa Cerrados e Professor de Toxicologia na FACS/UniCEUB. Embrapa Cerrados - BR 020 Km 18. Planaltina, DF - Brasil - CEP 73310-970. Caixa Postal: 08223. Fone: (61) 3388-9898 - Fax: (61) 3388-9879. cyrino@cpac.embrapa.br O aumento nas concentrações de metais pesados no solo e na água próximos a zonas de mineração pode estar relacionado com processos químicos e biológicos que controlam a solubilidade, a disponibilidade e a mobilidade desses metais. Os efeitos tóxicos dos metais pesados no ser humano estão associados aos compostos orgânicos e inorgânicos por eles formados e são determinados pela quantidade do metal envolvida e pelo tempo de exposição. Com base em revisão bibliográfica, o presente artigo enfoca e discute aspectos relevantes sobre o estudo de metais, como arsênio, cádmio, cromo e mercúrio, provenientes de rejeitos de mineração. Fontes de metais pesados no solo e na água. Os metais pesados estão presentes naturalmente no meio ambiente, mesmo que não haja ação antrópica o aumento em sua concentração pode ocorrer tanto por processos naturais quanto por atividades humanas. O intemperismo e a lixiviação do MUNIZ, D.H.F.; OLIVEIRA-FILHO, E.C. Universitas: Ciências da Saúde, v. 4, n. 1 / 2, p. 83-100, 2006 85 solo são exemplos de processos naturais que geram o aparecimento de metais pesados na água e no solo, todavia a extração e o beneficiamento de metais, rejeitos industriais, efluentes domésticos, insumos agrícolas, descarte de produtos comerciais, queima de combustíveis fósseis e descarte de lodo de esgoto são atividades antrópicas associadas à contaminação do meio ambiente por tais metais (NRIAGU; PACYNA, 1988; TEIXEIRA et al., 2000; ALLEONI et al., 2005; GUILHERME et al., 2005). Mineração. O conjunto de operações realizadas visando à retirada de minério do depósito mineral é chamado lavra, e o depósito mineral em lavra é denominado mina. Esta designação é aplicada mesmo que a extração tenha sido suspensa. A lavra pode ser executada de modo bastante simples, por meio de atividades manuais ou por meios altamente mecanizados e em larga escala, como ocorre nas grandes minerações (TEIXEIRA et al., 2000). O minério bruto não se encontra suficientemente puro ou adequado para que seja submetido a processos metalúrgicos ou para a utilização industrial. Assim, após a lavra, os minérios são submetidos a um tratamento ou beneficiamento, que os torna aptos à utilização. O tratamento divide o minério bruto em duas frações: concentrado e rejeito. Este último é a fração constituída quase que exclusivamente pelos “minerais de ganga” - minerais presentes nas jazidas, e que, devido a aspectos econômicos, tecnológicos ou composicionais, não são utilizados. Atualmente, junto às grandes metrópoles brasileiras, é comum a existência de enormes áreas degradadas, resultantes de atividades de extração de metais. Essas atividades são desenvolvidas a céu aberto e, na maioria das vezes, propiciam a ação de processos erosivos, pois não obedecem a um planejamento de lavra adequado (RELATÓRIO..., 2002). A degradação da área é uma conseqüência inerente ao processo de mineração. A intensidade da degradação depende do volume, do tipo de mineração e dos rejeitos produzidos. Na extração e no beneficiamento do caulim, um tipo de argila empregada na fabricação de vários produtos comerciais, ocorre produção de rejeitos líquidos, lançados nos rios, e sólidos, geralmente aterrados. Esses rejeitos podem conter, além de outros contaminantes, concentração de metais, como o CÁDMIO (Cd), acima do MUNIZ, D.H.F.; OLIVEIRA-FILHO, E.C. Universitas: Ciências da Saúde, v. 4, n. 1 / 2, p. 83-100, 2006 86 permitido pela legislação (SILVA et al., 2001). Os reflexos dessa contaminação extravasam, freqüentemente, os limites das áreas de trabalho, atingindo a topografia, a flora, a fauna, além dos sistemas hídrico e morfofisiológico do solo. Toxicidade para o ser humano. Para os seres humanos, os efeitos adversos causados pela exposição aos metais pesados estão relacionados mais com a exposição funcional do que com os níveis gerais de metais no ambiente. Isto se aplica tanto aos trabalhadores do setor de mineração, industrial ou agrícola, quanto às pessoas que utilizam compostos de metais pesados diretamente em suas ocupações (JEFFERY, 2001). Cádmio. A presença natural de cádmio no meio ambiente, aparentemente, não tem causado problemas significativos para a saúde humana, pois encontra-se em baixas concentrações. Porém, a ampla utilização na indústria faz com o cádmio seja um dos mais freqüentes contaminantes do meio ambiente. O conhecimento de seus efeitos na saúde ganhou terreno com o reconhecimento da doença de itai-itai, cujo nome decorre pelas dores ósseas e musculares nos afetados. A doença foi descrita após a contaminação dos alimentos por cádmio originado em uma mina na cidade de Toyama, Japão (GALVÃO; COREY, 1987b ). A maioria dos estudos de grupos epidemiológicos disponíveis, tanto de observações como de estudos clínicos, foram executados em trabalhadores expostos ao metal ou em populações japonesas de áreas contaminadas por cádmio. Muitos destes estudos focalizaram-se na detecção de disfunção dos rins. Outros investigaram sinais clínicos de doenças, como pedra renal e insuficiência pulmonar. Até a metade dos anos 70, atenção particular foi dada ao Japão na detecção de doenças nos ossos (por exemplo, a doença de itai-itai). Em outros estudos, o papel do cádmio na carcinogenicidade e na mortalidade de seres humanos também foi relatado. A exposição ao cádmio produz uma extensa variedade de efeitos adversos envolvendo muitos órgãos e sistemas. Do ponto da vista da medicina preventiva, a detecção de efeitos adversos nos rins é de fundamental importância, a fim de impedir efeitos mais sérios nos pulmões ou nos ossos. Com relação à exposição aguda de seres humanos, os efeitos mais considerados estão na inalação, que afeta os pulmões, e ocasionam danos crônicos aos rins, os quais, depois da exposição prolongada, são considerados órgãos críticos. Uma conseqüência da disfunção tubular renal é o distúrbio do metabolismo do cálcio e da vitamina D. De acordo com alguns estudos, isto pode levar à osteoporose, efeito esse não confirmado por outros autores, contudo danos na calcificação óssea não podem ser descartados (THE INTERNATIONAL PROGRAMME ON CHEMICAL SAFETY, 1992a ). Considerações finais. A atividade mineradora vem desempenhando um importante papel na sociedade através dos tempos, contudo essa exploração se realizada de maneira não planejada pode afetar a qualidade de vida das futuras gerações. A mineração é um dos setores básicos da economia de muitos países, contribuindo, de forma decisiva, para o bemestar e a melhoria da qualidade de vida, desde que seja operada com responsabilidade social, utilizando sempre os princípios do desenvolvimento sustentável. A prevenção e a minimização de impactos causados sobre o meio ambiente são os melhores aliados em termos de sustentabilidade, e isso pode ocorrer quando há um planejamento e uma correta avaliação de impacto ambiental tanto no início da lavra da jazida e como após o MUNIZ, D.H.F.; OLIVEIRA-FILHO, E.C. Universitas: Ciências da Saúde, v. 4, n. 1 / 2, p. 83-100, 2006 98 fechamento da mina. Um dos grandes problemas da mineração na atualidade está relacionado com os rejeitos decorrentes dessa atividade, como a extração de ouro, caulim e carvão mineral, pois contribuem para o aumento de metais pesados no solo e em sistemas aquáticos. Esses metais muitas vezes estão associados a problemas de contaminação do ambiente e do próprio ser humano. Para determinar a ocorrência destes metais no meio ambiente, é necessário compreender os processos que controlam a sua mobilidade e que os tornam biodisponíveis. Uma vez que o animal ou o ser humano pode entrar em contato com esses contaminantes, torna-se necessário conhecer, entre outras coisas, a toxicidade desses compostos, para evitar desastres históricos como os que se tem notícia. Conclusão. Segundo a pesquisa que realizei, o caulim era extraído na Reta, depositado na Av. Bianco e beneficiado na área onde hoje funciona o almoxarifado. Diante de todas estas informações, recomendei ao Secretário de Meio Ambiente Jorge Luiz Ribeiro, a Secretária de Saúde Terezinha Lanini e o Prefeito Municipal Honório de Oliveira que, de forma preventiva, fosse feita uma análise de presença de metais pesados das águas de todas as minas de Bicas, pedido este prontamente atendido. A COPASA realizou justamente hoje, a coleta de amostras para uma análise completa e detalhada de todas as minas de Bicas (bacteriológica, físico-química, série fosforada e de metais pesados). Vamos aguardar o resultado destas análises, que será feita em Belo Horizonte.
Grande participação nos debates.

RADIAÇÃO ATRAVÉS DAS ANTENAS DE CELULAR. As torres de celular foram uma das quatro frentes escolhidas para o levantamento de “Incidência do Câncer em Bicas”. E é sobre elas que passo a discorrer neste relatório. Com a grande demanda por celular, cresce o número de torres de radiofreqüência nas cidades brasileiras - só em Bicas são quatro operadoras até o momento. Uma das conseqüências do processo de privatização das telecomunicações foi o crescimento fantástico do setor e, conseqüentemente, a proliferação de torres de celular nos municípios brasileiros, entre eles, o Município de Bicas. O assunto é relativamente novo e ainda não há estatísticas conclusivas a respeito. Essas torres estão se somando às torres de TV e às de rádio FM, transformando a paisagem e o meio ambiente das pequenas, médias e grandes cidades. A maioria das pessoas assimila a presença delas como símbolo de conforto e tecnologia e desconhece os efeitos causados pelo novo “habitante”. O setor mais do que cresce: atropela e expande numa velocidade incrível. As pesquisas sobre os índices de radiação dos aparelhos de celular e das torres de radiofreqüência estão apenas começando. Os estudos sobre os efeitos da radiofreqüência no corpo humano e a definição dos índices aceitáveis para as torres e aparelhos celulares ainda são insipientes no Brasil. Um consenso mundial sobre o índice tolerável de radiação para o corpo humano não está realmente definido. Atualmente, estudiosos concordam apenas que cada pessoa pode suportar a radiação que varia entre 9 e 40 volts/metro. Acima de 40 v/m todos concordam que é prejudicial à saúde. Várias dúvidas pairam sobre o tema, inclusive se a radiação tem efeito cumulativo no corpo humano. A presença delas significa conforto, modernidade e tecnologia para a comunicação entre pessoas. Nesse sentido ninguém é contra a presença das torres de radiofreqüência na vizinhança. Acontece, porém, que diante dos altos riscos que representa conviver com elas é que em 2006 a prefeitura de Bicas encaminhou projeto e a Câmara Municipal aprovou a Lei 1.278/2006 que disciplina não só a instalação de torres de celular como também de estações de telecomunicações de transmissão, de antenas transmissoras de rádio, televisão, telefonia e telecomunicação em geral. Ela normatiza a instalação destas torres em Bicas, determinando: - em primeiro lugar, um requerimento de exame e estudo de viabilidade técnica na Secretaria de Saúde; - licença ambiental e parecer da vigilância sanitária; - memorial técnico descritivo informando faixa de freqüência de transmissão, quantidade e tipo de antena, número máximo de canais e a potência máxima irradiada das antenas e indicação dos resultados de níveis de potência para o caso de compartilhamento de torres; - característica física da estrutura das torres, projeto estrutural acompanhados de anotação de responsabilidade técnica do engenheiro responsável; - projeto assinado por profissional habilitado com inúmeras exigências; - laudo radiométrico assinado por profissional habilitado - sinalização por placas de que o local está exposto à radiação. - em seu artigo 4° limitações quanto ao compartilhamento de torre – que é o caso de Bicas e que precisa ser criteriosamente analisado, como todos os itens acima descritos. - destaco o artigo 30, onde fica expressamente determinado que “para obtenção do alvará de funcionamento das torres e antenas, as empresas são obrigadas a recolherem anualmente aos cofres públicos do Município” - valores expressos no mesmo artigo - “recursos destinados ao Fundo Municipal de Saúde, até que seja criado o Fundo Municipal de Meio Ambiente”. Ou seja, a lei é praticamente completa, cabendo à Prefeitura fazer com que se cumpram todas as exigências nela contidas. Só assim, poderemos no futuro fazer uma análise concreta sobre possíveis influências das torres de celular e demais nos resultados da incidência de câncer em Bicas, mas, no que diz respeito às antenas de celular, este trabalho já alcançou grande resultado, à medida que provocou na administração pública uma ação concreta quanto ao respeito à Lei.
Grande público presente ao evento.
.
ROUNDUP E A INCIDÊNCIA DO CÂNCER EM BICAS. Dos quatro itens pesquisados, o que despertou maior preocupação, requerendo uma análise crítica e extremamente preventiva é o ROUNDUP, produto a base de GLIFOSATO usado na capina química aprovada e autorizada pela Lei 1.264/2006. Após a aprovação da Lei Municipal 1.264/2006 que instituiu a “capina química” em Bicas, com o uso do herbicida ROUNDUP, algumas pessoas me procuraram para questionar sobre o problema. Minha resposta natural era que uma Lei autorizava a prefeitura a utilizar o produto. Já tendo sido eu vereador na legislatura anterior e conhecendo bem os meandros do funcionamento desta casa, acreditava no bom senso de todos para aprovarem tal Lei. Acreditava que haviam pesquisado a fundo a composição do produto e suas contra-indicações. Essa foi minha linha de atuação quando fui vereador e acreditava que os vereadores de então também atuassem assim. E assim respondia aos poucos que me questionaram. Só que as indagações sobre o ROUNDUP não paravam e foram me intrigando de tal forma que, no final de 2007, resolvi fazer uma pesquisa mais aprofundada sobre o herbicida. Fui ao almoxarifado da prefeitura conhecer o produto, sua embalagem, armazenamento e principalmente, para destacar uma bula e conhecer sua composição química, contra-indicações, precauções, modo de aplicação seguro, limitações, enfim, todas as informações de segurança. Confesso que fiquei bastante preocupado com o que encontrei. Constatei que estava sendo aplicado nas ruas de nossa cidade, um produto que tem em sua bula determinações explícita como: - “produto perigoso"; - “obrigatório o uso de equipamento de segurança"; - “Se aplicado próximo a corpos de água: interrompa imediatamente a captação para o consumo humano ou animal”; - “A destinação inadequada das embalagens vazias e restos de produtos no meio ambiente causa contaminação do solo, da água e do ar, PREJUDICANDO A FAUNA, A FLORA E A SAÚDE DAS PESSOAS"; - “USO NÃO URBANO"; - “INTERVALO DE REENTRADA DE SERES HUMANOS 24 HORAS APÓS A APLICAÇÃO"; - “EVITE O MÁXIMO POSSÍVEL O CONTATO COM A ÁREA DE APLICAÇÃO"; - “NÃO ENTRE NA ÁREA TRATADA COM O PRODUTO ATÉ O TÉRMINO DO PERÍODO DE REENTRADA"; - e por fim, “AS FORMULAÇÕES CONTENDO GLIFOSATO TEM AÇÃO IRRITANTE E POTENCIAL CORROSIVO PARA PELE E MUCOSAS. OS EFEITOS SÃO MAIS GRAVES EM CRIANÇAS”. Além de tudo isso, em uma recente compra do referido produto, adiquiriu-se produto cuja bula apresentava graves e preocupantes variações de dados. composição e riscos a saúde humana. Percebi que não existia homogeneidade nas informações das bulas. Vejamos: - Em uma bula, determinada composição com a descrição ROUNDAP NA (não agrícola) não mencionando, porém indicação para USO URBANO, dentre várias indicações de uso citadas. - Em outra, nova composição e a mesma descrição ROUNDAP NA (não agrícola), mas com recomendação expressa “NÃO URBANO” e inúmeras informações sobre os perigos ao usar o produto. - Na última bula, a mesma composição da primeira, mas com indicação de uso exclusivo AGRÍCOLA. O mais grave: em todas elas, a afirmação de tratar-se de produto altamente tóxico e agressivo ao meio ambiente. Tais circunstâncias obrigam-me a manifestar oficialmente, deixando explicitamente claro ser totalmente contrário ao uso e a solicitar a suspensão definitiva do uso do ROUNDAP – GLIFOSATO NORTOX de todas as indicações, pois todos são produtos com “POTENCIAL DE PERICULOSIDADE AMBIENTAL III – PERIGOSO AO MEIO AMBIENTE”, proibido em sua própria bula para o “USO URBANO”, mesmo tendo lei municipal que autorize o uso específico do NA em “capina química”. Após conhecer as descrições da bula e a grave variação das informações nelas contidas, fui ler atentamente a Lei 1.264/2006, o que confirmou todas as minhas preocupações. Vejamos: Art. 3° - O produto não poderá ter restrições quanto ao seu uso em qualquer época do ano, bem como não poderá apresentar restrições à reentrada de pessoas e animais nas áreas tratadas, devendo apresentar ação sistêmica. Parágrafo único – Entende-se por intervalo de reentrada de pessoas e animais, o período em que o produto se encontra com atividade máxima, sendo determinado pelas propriedades do produto e especificado em sua bula (intervalo de reentrada – 24hs após a aplicação). Art. 4° - O produto somente pode ser utilizado: (Entre vários incisos importantes, destaco) IV – mediante RIGOROSA observação das informações pertinentes e constantes do rótulo e da bula do produto químico utilizado; V – mediante sinalização adequada, pelo prazo definido como intervalo de reentrada na bula do produto, com a finalidade de evitar a permanência de pessoas no local; O inciso VII, § 3°, em texto idêntico ao § 3° do artigo 1°, determina: § 3° - A área em que for realizada a capina química deve ser interditada ao acesso de pessoas e animais, durante o período de aplicação e no intervalo de segurança. O artigo 8° que, diga-se de passagem, nunca foi respeitado, traz em sua redação a seguinte determinação: Art. 8° -... deverá o Município, onde o trabalho será realizado, através dos meios de comunicação existentes na localidade, informar à população sobre a atividade a ser desenvolvida, especificando dia, hora e local em que for realizada, alertando sobre os cuidados a serem adotados. Art. 9° - Compete às Secretarias Municipais de Saúde e Meio Ambiente, em ação coordenada, fiscalizar rigorosamente a prestação do serviço de capina química,... Cabe ressaltar que, se observarmos todo o texto da Lei 1.264/2006, veremos que a mesma é praticamente impossível de ser obedecida. Por fim, na segunda-feira, dia 16 de fevereiro de 2009, procurei o secretário de meio ambiente para lhe comunicar que estava novamente acontecendo a "capina química" na cidade e o mesmo, bastante preocupado, me mostrou uma nova bula do herbicida ROUNDUP que havia retirado de uma embalagem no depósito do almoxarifado, comprovando a total falta de controle sobre atos de compra e venda do produto. Nesta bula, a mesma descrição ROUNDAP NA (não agrícola), também com recomendação expressa “NÃO URBANO” e as inúmeras informações sobre os perigos ao usar o produto. Tal problema se arrasta até hoje, mas acredito que tudo aqui relatado demonstra claramente que o uso do ROUNDUP a base de GLIFOSATO requer uma análise crítica e extremamente preventiva. A capina química é dos quatro itens pesquisados, o que apresenta os maiores problemas e riscos à saúde humana, sem, contudo poder apontá-la ou afirmar que seja responsável pelos números do câncer em Bicas. Diante de todos os dados apresentados, por entender ser um caso de saúde pública, de defesa da saúde dos funcionários públicos envolvidos, de todos os cidadãos biquenses, do meio ambiente e por acreditar na sensibilidade do Prefeito Municipal, encerrei minha apresentação pedindo apoio de todos os presentes pela revogação da Lei Municipal 1.264/2006. Estes foram os relatórios apresentados. Espero que tudo isso possa, de alguma forma, mexer com a sensibilidade daqueles que detêm o poder para fazer as transformações necessárias que possam garantir a todos os biquenses um futuro melhor.

16 maio 2009

*1º SIMPÓSIO DA SEMANA DA SAÚDE EM BICAS.

A Secretaria Municipal de Saúde realizará o 1° Simpósio da Semana da Saúde de Bicas - Política Municipal de Humanização da Saúde, que acontecerá no próximo dia 21 de maio, a partir das 9 horas da manhã, no salão da Câmara Municipal, tendo como tema "A Incidência do Câncer no Brasil". Na oportunidade, estarei apresentando os resultados do Trabalho "Levantamento de Portadores de Câncer em Bicas de 2005 a 2009". Além desta apresentação, teremos também palestras sobre o câncer e seus fatores de risco e sobre a prevenção dos principais tipos de câncer. Segue a programação:
.
Palestrantes:
.
- Amarildo José Mayrink.
"Levantamento de Portadores de Câncer referida aos Agentes Comunitários de Saúde do PSF de Bicas, no período de 2005 a 2009".
.
- Professor Dr. Maximiliano Ribeiro Guerra - Médico Epidemiologista do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina da UFJF.
Tema - "Ocorrência do Câncer no Brasil e seus Fatores de Risco".
.
- Prof. Dra. Jane Rocha Duarte Cintra - Médica Oncologista.
Tema - "Prevenção dos Principais Tipos de Câncer".
.
- Dra. Teresa Cristina - Mestra em Saúde Brasileira e Oncologista Infantil.
Tema - "O Câncer Infantil no Brasil"

12 maio 2009

*BOAS NOTÍCIAS! NOSSO TRABALHO FOI INSCRITO NA 9ª MOSTRA DA EXPOEPI, DO MINISTÉRIO DA SAÚDE.

É isso aí! O trabalho que realizei em Bicas em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde junto aos PSF’s, através do “levantamento dos portadores de câncer” segue sua caminhada colhendo bons frutos: - Capacitação dos agentes de saúde e de toda a equipe dos PSF’s, que começa na próxima semana; - Amplo trabalho de divulgação, promoção e prevenção do câncer; - Estruturação de um sistema de controle e acompanhamento dos portadores da doença. Agora, nosso trabalho acaba de ser inscrito na "9ª MOSTRA NACIONAL DE EXPERIÊNCIAS BEM SUCEDIDAS EM EPIDEMIOLOGIA, PREVENÇÃO E CONTROLE DE DOENÇAS" que o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde, realizará, de 18 a 20 de Novembro de 2009, em Brasília, DF. A 9ª EXPOEPI visa divulgar e premiar os serviços de saúde do SUS que se destacaram nessas áreas pelos resultados alcançados em atividades relevantes para a saúde pública; também contará com oficinas de trabalho, mesas-redondas, palestras e conferências. A 9ª EXPOEPI priorizará temas estruturantes para as ações de vigilância, prevenção e controle de doenças e agravos. Destacará ações integradas que tragam resultados concretos para o aperfeiçoamento da vigilância em saúde ou para um conjunto de doenças/agravos/situações de saúde; e que articulem setores dentro e fora da área de saúde, quando pertinente. A experiência bem-sucedida deve expressar ações concretas com resultados epidemiológicos ou operacionais. Concorreremos no tema “Inovações na gestão da vigilância de agravos e doenças não transmissíveis e da promoção da saúde”. Em cada tema serão selecionadas 3 experiências para apresentação oral durante o evento, em um total de 24 trabalhos a serem divulgados e que participarão da Mostra Competitiva no local.
Tenho que confessar: estou realmente feliz! Participar da 9ª EXPOEPI, para mim, já é uma grande vitória.

09 maio 2009

*ESTOU NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DA UFMG!

Vivendo uma fase de novas e grandes experiências, de conquistas e de boas notícias, fui contemplado com uma vaga no “Curso de Atualização dos Mecanismos de Controle Público; Uma Visão Crítica”, do Programa de Formação de Conselheiros Nacionais, por meio de Educação a Distância da UFMG, voltado para conselheiros nacionais, estaduais e municipais. O Programa, idealizado pela Secretaria-Geral da Presidência da República, é realizado em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por meio da articulação entre o Projeto Democracia Participativa (PRODEP), o Projeto República e o Centro de Referência do Interesse Público (CRIP), e a Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) - e surgiu da necessidade de consolidar e sistematizar o conhecimento a respeito da participação social no âmbito do governo federal. O objetivo do Programa é contribuir para a formação qualificada de conselheiros dos Conselhos Nacionais de políticas públicas, de gestores e técnicos do governo federal que trabalham com instituições participativas e de representantes de organizações da sociedade civil de abrangência nacional e criar um espaço de reflexão e troca de experiências relacionadas à participação social e à democratização da gestão do Estado. Temas de grande importância farão parte deste curso. São eles: - Introdução dos conceitos e noções fundamentais relativos à análise de políticas públicas e a distinção entre as dimensões do Estado e do governo. - Teorias e experiências sobre as relações entre Estado e Sociedade. Diferentes experiências de gestão pública. - Debate entre democracia representativa e democracia participativa. Novos processos de formulação de políticas públicas, que envolvem mobilização, redes de participação e controle social como elementos centrais. - Processos que incluem os excluídos como protagonistas na ampliação da gramática social e na incorporação de novos atores e novos temas na política. - Mecanismos existentes de controle público e seus limites e potencialidades.
Às vezes, posso parecer repetitivo em falar de trabalho, mas só o trabalho pode trazer grandes e excelentes surpresas como essas. Como diria meu amigo Zé Arnaldo: “vida que segue”.

*COMDURB TEM NOVA COMPOSIÇÃO.

Em reunião realizada no dia 6 de maio, o Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano – COMDURB fez algumas modificações em sua composição atendendo a solicitação das entidades participantes. Além da mudança de alguns representantes do Poder Executivo, as entidades da Sociedade Civil também apresentaram novos nomes. Restam duas vagas a serem preenchidas. Esta é a nova composição do Conselho:
PODER PÚBLICO:
- Maria das Graças Corrêa – pela Sec. de Assistência Social.
- Jorge Luiz Ribeiro – pela Sec. de Meio Ambiente.
- Priscila Paiva de Oliveira – pela Sec. de Saúde.
- Antônio Roberto Corrêa – pela Sec. de Obras Públicas.
- Fabrícia de Freitas Bernardes – pela Sec. de Desenvolvimento Econômico e Turismo.
- A Sec. de Educação vai indicar novo nome.
- Luiz Carlos Nunes Coelho – pelo IBGE.
MOVIMENTOS POPULARES:
- Waldenir Luiz da Silva - Art’Bicas.
- Alessandra Hoffmann – Grêmio Estudantil da Escola Est. Dep. Oliveira Souza.
- Carlos Martinho – Lions Club.
- Resta uma vaga a ser preenchida neste seguimento.
TRABALHADORES:
- Mara Rúbia Pinto Souza – Sindicato Rural.
- Amarildo José Mayrink – Ass. Pequenos Produtores de Bicas e Região.
ENTIDADES ACADÊMICAS E DE PESQUISA:
- Lea Alves de Castro – FEAP.
- Resta uma vaga a ser preenchida neste seguimento.
CAIXA:
- Marcos Vinícius de Melo.
EMPRESARIAL:
- Emerson Agreli Cunha – ASSCOM.
O Conselho decidiu também que as reuniões ordinárias se realizarão na primeira segunda-feira de cada mês, às 19 horas, no Polo Universitário de Apoio Presencial da UAB.

*REUNIÃO COM O GRÊMIO ESTUDANTIL DO ESTADUAL.

No dia 5 de maio, atendendo ao convite do Grêmio Estudantil da Escola Estadual Deputado Oliveira Souza, participei de um encontro com a nova diretoria, os jovens Gabriel, Luiz Otávio, Alessandra, Daniel, Flávia, Ramon, Luiz Antônio, Thaíse, Brenda e Rodrigo, onde pude levar minha colaboração ajudando a esclarecer algumas dúvidas sobre o estatuto e discutir sobre o trabalho a ser desempenhado pelos jovens do Grêmio. É sempre muito bom ver a juventude se organizando e participando ativamente da vida da escola. Lembrei-lhes de que, graças ao Grêmio Estudantil, o jovem Jaílson, membro da primeira diretoria, pôde participar das Conferências Estadual e Nacional de Políticas Públicas para a Juventude. A Diretora Rita Alhadas Leite também participou do encontro e demonstrou grande confiança na nova gestão do Grêmio. Aproveitei a oportunidade para solicitar a indicação de novos nomes para representar o Grêmio no COMDURB – Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano, sendo indicadas as jovens Alessandra de Brenda. Aos jovens da nova direção do Grêmio, desejo muito sucesso e estou à disposição para novos encontros.

*NOVA DATA PARA APRESENTAÇÃO PÚBLICA DO TRABALHO.

Devido ao agendamento pela GRS – Gerência Regional de Saúde de cursos para as enfermeiras dos PSF’s e aos eventos e inaugurações da Secretaria de Saúde, a semana de capacitação dos agentes de saúde e a apresentação do Trabalho que realizei foi adiada para a próxima semana, de 18 a 22 de maio. Conto com a compreensão de todos. Em breve divulgarei a nova data.

06 maio 2009

*TRABALHO É APRESENTADO EM ENCONTRO NA UFJF.

Novas oportunidades de crescimento. Novas amizades. Novos conhecimentos...
Recomendado pelo Coordenador de Prevenção e Vigilância do Câncer do INCA, Dr. Cláudio Pompeiano Noronha, na última quinta-feira, dia 30 de abril, apresentei meu trabalho à Dra. Maria Tereza Bustamante Teixeira, Coordenadora do Núcleo de Assessoria, Treinamento e Estudos em Saúde – NATES e Professora do Departamento de Saúde Coletiva da UFJF. Durante algumas horas, tive a oportunidade de conversar com uma pessoa de grande capacidade e conhecimento técnico na área de treinamento e estudos em saúde. Foi realmente gratificante perceber seu entusiasmo com o trabalho apresentado. O melhor de tudo isso foi saber que deste encontro, surgiu a possibilidade de uma parceria entre o Núcleo de Assessoria que Maria Tereza coordena e a Secretaria Municipal de Saúde de Bicas para troca de informações que venham a possibilitar um maior controle e acompanhamento dos casos da doença em nossa cidade. Disse também que irá estudar a possibilidade do envio de um grupo da UFJF para a realização de palestras e capacitação de nossos agentes de saúde. Ficou feliz de saber que o Município de Bicas geograficamente possui 100% de suas casas atendidas pelos Agentes Comunitários de Saúde, algo inédito em nossa região. Neste encontro, além da apresentação dos resultados do levantamento propriamente dito, tivemos também a oportunidade de debater a pesquisa que venho realizando em quatro frentes com indícios de serem possíveis motivadores ou de estarem contribuindo para os números apresentados: - a água consumida pela população biquense; - as antenas de telefonia celular; - a antiga extração de caulim de Bicas; - a capina química das ruas de nossa cidade. Comprometi-me de enviar a ela todas as informações e resultados desta pesquisa. Deu realmente muito trabalho realizar este levantamento, mas só o trabalho nos oferece oportunidades como esta. Sigamos em frente...

28 abril 2009

*E O TRABALHO COMEÇA A GERAR BONS FRUTOS.

É isso mesmo! Graças ao levantamento sobre portadores de câncer que realizei em Bicas, bons frutos já começam a ser colhidos. Tanta informação e trabalho não poderiam simplesmente ficar guardado. Era necessário apresentar os resultados a pessoas e instituições que fizessem uma leitura mais apurada. Profissionais que pudessem oferecer alternativas materiais, técnicas e humanas, dando-nos condições de desenvolver trabalhos de prevenção e de detecção precoce da doença. Buscando exatamente encontrar tudo isso, iniciei minha caminhada visitando o INCA – Instituto Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro, onde apresentei meu trabalho ao Dr. Cláudio Pompeiano Noronha, Coordenador de Prevenção e Vigilância do Câncer e este ficou realmente surpreso com a dimensão de todo o levantamento apresentado, ressaltando a importância da realização de trabalhos como este em pequenos municípios. Recomendou que também apresentasse meu trabalho à Dra. Berenice Navarro Antoniazzi, Epdemiologista e Coordenadora do Programa de Avaliação e Vigilância do Câncer e seus Fatores de Risco, da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. Após contatos iniciais, marcamos uma reunião em Belo Horizonte, onde em companhia da Secretária Municipal de Saúde de Bicas, Sra. Terezinha Lanini, estivemos no último dia 27 de abril. Este encontro nos propiciou a oportunidade de apresentar o trabalho a profissionais altamente qualificados na área de estatísticas e extremamente envolvidos com a vigilância do câncer em nosso Estado. Lá, nos reunimos com Dra. Berenice, que disponibilizou dois profissionais na área de estatística, Renato Azeredo Teixeira e Thays Aparecida Leão, ambos Estatísticos do Programa de Avaliação e Vigilância do Câncer em Minas que, numa leitura mais técnica, mostrou-nos de forma clara, a dimensão dos números apresentados pelo levantamento de Bicas. Apesar de não ser um profissional da área da saúde, este trabalho vem me propiciando grandes experiências. Foi realmente gratificante conversar com pessoas tão capacitadas e envolvidas com a prevenção do câncer. Graças a este encontro, conseguimos também uma grande quantidade de materiais para capacitação de nossos agentes de saúde, que assim poderão realizar campanhas e prestar informações básicas para a suspeita e detecção precoce do câncer e seus fatores de risco. Todo o material será apresentado aos agentes de saúde na semana do enfermeiro, quando além de apresentarmos os resultados do levantamento sobre portadores de câncer em Bicas, acontecerão capacitações para os profissionais lotados nos PSF’s, para que possam realizar uma grande e profícua campanha junto aos biquenses. A expectativa é que a população de risco seja mais bem informada e, com isso, realize em tempo oportuno os exames preventivos. A detecção precoce do câncer possibilitará a cura ou o controle da doença.

09 abril 2009

*LEVANTAMENTO SOBRE PORTADORES DE CÂNCER EM BICAS.

Passo a apresentar um resumo do Levantamento sobre Portadores de Câncer que realizei em Bicas em parceria com a Secretaria de Saúde, através dos postos do PSF - Programa de Saúde da Família.
Quero ressaltar que não se trata de uma pesquisa baseada em informações técnicas como laudos laboratoriais de diagnóstico e do tipo específico de câncer, mas sim de um "Levantamento sobre Portadores de Câncer Segundo Informação de Morbidade Referida aos Agentes Comunitários de Saúde", entre 01 de janeiro de 2005 a 18 de março de 2009, levantando as informações prestadas pelos moradores aos agentes de saúde residentes nos domicílios localizados nas áreas com cobertura dos PSF’s. Foram estes os dados levantados para chegarmos aos números aqui apresentados.
Foram distribuídas planilhas individuais para cada ano a cada agente de saúde dos cinco postos existentes em Bicas, levantando o número de casos novos da doença em cada ano, especificando tipo de câncer, sexo, fumante, alcoolista, em tratamento e óbito. Todas as informações que alimentaram este levantamento foram colhidas entre 6 de fevereiro de 2009 e 18 de março de 2009.O resultado completo com planilhas, gráficos e cruzamento de informações serão apresentados em evento a ser realizado na segunda semana de maio - Semana da Saúde - com palestras e debates sobre o tema.
Para dar início a este trabalho, era necessária uma referência confiável de informações sobre o câncer no Brasil, que encontrei na publicação “Estimativa 2008: Incidência de Câncer no Brasil” do INCA – Instituto Nacional do Câncer e uma fonte de informações mais próxima possível da realidade sobre a incidência da doença em Bicas, levantadas nos registros dos cinco postos do "PSF – Programa de Saúde da Família" que cobrem todos os bairros e ruas de nossa cidade e a zona rural.
.
A população de Bicas utilizada como denominador para o cálculo das taxas apresentadas na presente publicação foi a censitária de 2007, obtida na seção municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, desagregada por sexo: 6.570 homens e 7.060 mulheres. Para chegar ao número de registro de casos novos de câncer em Bicas de 2005 a 2009, foram usados como parâmetro, os números estimados de casos para o Estado de Minas Gerais da estimativa INCA 2008 que são: 190 novos casos para 100.000 homens; ou seja, 1,9 casos por 1.000. 170 novos casos para 100.000 mulheres; ou seja, 1,7 casos por 1.000. .
Teremos assim: 12,48 novos casos por 6.570 biquenses homens; 12,00 novos casos por 7.060 biquenses mulheres.
.
De posse desses dados, fiz um levantamento dos casos novos de câncer por sexo em Bicas nos anos de 2005, 2006, 2007, 2008 e nos três primeiros meses de 2009, comparando estes números ano a ano com os números previstos pelo INCA para 2008. Desta forma, podemos avaliar a evolução da doença em Bicas. Vejamos esta evolução em número de casos novos:
Previsão INCA para 2008 em Bicas:
12,48 em homens - 1,9/1.000.
12,00 em mulheres - 1,7/1.000.
.
N° de casos novos em Bicas 2005:
14 em homens - +8% - 2,13/1.000.
10 em mulheres - -15% - 1,41/1.000.
.
N° de casos novos em Bicas 2006:
13 em homens - igual INCA - 1,97/1.000.
16 em mulheres - +34% - 2,26/1.000.
.
N° de casos novos em Bicas 2007:
16 em homens - +23% - 2,43/1.000.
19 em mulheres - +59% - 2,69/1.000.
.
N° de casos novos em Bicas 2008:
24 em homens - +85% - 3,65/1.000.
26 em mulheres - +117% - 3,68/1.000.
.
N° de casos novos em Bicas 2009 em apenas três meses:
10 em homens - projeção ano - 6,08/1.000.
11 em mulheres - projeção em mulheres - 6,23/1.000.
Todos os tipos de câncer que constam na pesquisa foram os registrados nos postos do PSF de Bicas de janeiro de 2005 a março de 2009. É necessário destacar que muitos pacientes e seus familiares, normalmente aqueles com condições financeiras que lhes permitem a não dependência dos serviços do SUS e também por outros motivos que são do conhecimento de todos, optam pelo anonimato, omitindo dos agentes de saúde e da própria Secretaria de Municipal de Saúde a existência da doença, fato naturalmente compreensível. Sabemos que são muitos, sem, contudo, podermos precisar, mas tal fato torna ainda mais preocupante a situação dos números em Bicas. “Sem dúvida, os números são maiores”.
Apresento a seguir, os números da incidência de câncer entre os anos de 2005 a março de 2009. Total de casos no período 2005/2009: 160 – 100% 2005 em todo o ano, 24 casos – 15%; 2006 em todo o ano, 30 casos – 18,75%; 2007 em todo o ano, 35 casos – 21,87%; 2008 em todo o ano, 50 casos – 31,25%; e 2009 em apenas dois meses e meio, 21 casos – 13,12%. Passo agora a a uma classificação pelo número de ocorrências em Bicas classificados também em 20 tipos distintos, contabilizados no período citado, destacando o número de casos em 2008 e 2009: 1- O câncer de próstata aparece em primeiro lugar no índice de casos novos em Bicas, com números bem acima da previsão nacional e estadual. De 2005 a 2009= 28 casos; em 2008= 9 casos e em 2009= 4 casos.
2 – O câncer de mama aparece em segundo lugar no índice de casos novos em Bicas, com números bem acima da previsão nacional e estadual. De 2005 a 2009= 27 casos; em 2008= 8 casos e em 2009= 4 casos.
3 – O câncer de garganta/laringe/faringe aparece em terceiro lugar no índice de casos novos em Bicas, com números muito acima da previsão nacional e estadual. De 2005 a 2009= 18 casos; em 2008= 5 casos e em 2009= 3 casos. 4 – O câncer de colo do útero aparece em quarto lugar no índice de casos novos em Bicas, com números bem acima da previsão nacional e estadual. De 2005 a 2009= 10 casos; em 2008= 2 casos e em 2009= 1 caso.
5 – O câncer de cólon e reto também aparece em 4° lugar no índice de casos novos em Bicas, com números muito acima da previsão nacional e estadual.
De 2005 a 2009= 10 casos; em 2008= 6 casos e em 2009= nenhum caso registrado.
6 – O câncer de intestino aparece em quinto lugar no índice de casos novos em Bicas, com números muito acima da previsão nacional e estadual. De 2005 a 2009= 8 casos; em 2008= 3 casos e em 2009= 2 casos. 7 – O câncer de estômago também aparece em quinto lugar no índice de casos novos em Bicas, com números abaixo da previsão nacional e estadual. De 2005 a 2009= 8 casos; em 2008= nenhum caso registrado e em 2009= 1 caso.
8 – O câncer de pele aparece em sexto lugar no índice de casos novos em Bicas, com números abaixo da previsão nacional e estadual. De 2005 a 2009= 7 casos, sendo 1 melanoma (o mais grave); em 2008= 2 casos e em 2009= 2 casos.
9 – O câncer no cérebro/cabeça aparece em sétimo lugar no índice de casos novos em Bicas, com números acima da previsão nacional e estadual. De 2005 a 2009= 6 casos; em 2008= 3 casos e em 2009= nenhum caso registrado. 10 – O câncer no pâncreas aparece em oitavo lugar no índice de casos novos em Bicas, com números acima da previsão nacional e estadual. De 2005 a 2009= 5 casos; em 2008= 1 caso e em 2009= 1 caso. 11 – O câncer de pulmão aparece em nono lugar no índice de casos novos em Bicas, com números dentro da previsão nacional e estadual. De 2005 a 2009= 4 casos; em 2008= 2 casos e me 2009= nenhum caso registrado. 12 – O câncer de fígado aparece em nono lugar no índice de casos novos em Bicas, De 2005 a 2009= 4 casos; não ocorrendo caso novo em 2008 e em 2009. 13 – O câncer de boca aparece em décimo lugar no índice de casos novos em Bicas, De 2005 a 2009= 3 casos; em 2008= 2 casos e em 2009= nenhum caso registrado.
14 – Os tipos de câncer de perna/calcanhar e de baço aparecem em décimo primeiro lugar no índice de casos novos em Bicas, De 2005 a 2009= 2 casos cada; em 2008= 1 caso cada e em 2009= nenhum caso registrado. 15 – Os tipos de câncer na vesícula, nos testículos, nos ossos/leucemia e na pleura aparecem em décimo segundo lugar com um caso cada de 2005 a 2009. 16 – O número de casos novos de câncer em Bicas cujos tipos não foram informados, de 2005 a 18 de março de 2009, data final da coleta de dados, foi de 14 casos. Apesar do grande índice de confiança que os Agentes de Saúde já conquistaram junto aos cidadãos que acompanham, sabemos das dificuldades enfrentadas pelos mesmos. Normalmente, os pacientes e suas famílias não gostam de comentar sobre o fato. Só aqueles agentes que atuam em suas áreas há mais tempo conquistam a confiança das famílias, que vêem neles um ponto de apoio e respeito.
Quero ressaltar mais uma vez que o sucesso deste levantamento se deve ao belíssimo trabalho dos Agentes de Saúde, Enfermeiras, Técnicas de Enfermagem e de todo o corpo de profissionais dos PSF’s. Sem o arquivo de dados e a organização do trabalho destes profissionais, seria praticamente impossível obter o sucesso na realização deste trabalho.
Segundo o INCA, a vigilância é um dos componentes fundamentais para o planejamento e monitoramento da efetividade de programas de controle de câncer bem como a avaliação de seu desempenho. Um sistema de vigilância estruturado fornece informações sobre a magnitude e o impacto do câncer, como também sobre o efeito das medidas de prevenção, detecção precoce, tratamento e cuidados paliativos. Os registros de câncer de base populacional e hospitalar são partes deste sistema de vigilância. Os números deste levantamento demonstram a necessidade de investimentos por parte do Município em um sistema municipal de vigilância do câncer e no desenvolvimento de ações abrangentes para o controle da doença, nos diferentes níveis de atuação, como: na promoção da saúde, na detecção precoce, na assistência aos pacientes, na vigilância, na formação de recursos humanos, na comunicação e mobilização social. É necessário todo o empenho na promoção de ações integradas do governo municipal com a sociedade para implementar uma nova política que reconheça o câncer como problema de saúde pública e estruture a realização de ações para o seu controle em Bicas, criando, se possível, uma Rede de Atenção Oncológica na Secretaria Municipal de Saúde, em consonância e participação direta e indireta do Governo Federal e da Secretaria Estadual de Saúde, das universidades, dos serviços de saúde, dos centros de pesquisa, das organizações não governamentais e da sociedade de forma geral. Dentre os componentes fundamentais, destacam-se a Promoção e Vigilância em Saúde, onde o sistema de informação configura-se como alicerce para a implementação das ações municipais em consonância com as ações estaduais e nacionais.
.
A iniciativa de se fazer este levantamento e a divulgação dessas informações buscam compartilhar e democratizar a reflexão a respeito do controle do câncer em Bicas, evidenciando o compromisso com a luta pela excelência nos serviços prestados à população.
.
Por fim, acredito que este trabalho possa promover uma verdadeira “sacudida” em nossa sociedade, nos poderes constituídos e principalmente em nosso Sistema Municipal de Saúde. Os números mostram que se faz necessária mais atenção ao problema. Precisamos com urgência desenvolver ações preventivas em todos os âmbitos. Precisamos investir em campanhas esclarecedoras e mais incisivas. Todo investimento feito em "ações preventivas" será sempre menor que as altíssimas despesas oriundas do tratamento do câncer. Precisamos nos aprofundar nesta questão. O lema é: CÂNCER. “MÃOS A OBRA. ESTAMOS CORRENDO CONTRA O TEMPO”. Em breve, publicarei resultados de uma pesquisa em quatro frentes, quatro itens que apresentam possibilidades ou indícios (mesmo que muito pequenos) de poderem estar contribuindo para os números do câncer em Bicas. Não que apenas estes possam sê-lo. São eles: - A água que consumimos, seja das inúmeras minas espalhadas por nossa cidade ou da COPASA (já foi solicitada uma análise bacteriológica, físico-química e de presença de metais pesados); - A antiga indústria de caulim, que existiu no final da Rua Governador Valadares - Reta; - As torres de telefonia celular; - A capina química, permitida por Lei Municipal e adotada em nossa cidade.
.
Participe deste debate, dê sua opinião, deixe seu comentário.
Até a semana da saúde, de 11 a 15 de maio!
Em breve, publicarei a programação do evento.
Conto com sua presença!

14 março 2009

*CÂNCER EM BICAS. MOMENTO DE REFLEXÃO.

Venho falar de um tema difícil de ser abordado, de um mal que vem assolando grande número de brasileiros, em especial de cidadãos biquenses, em número cada vez mais elevado. Trata-se do câncer.
Poço abordar este assunto com seriedade e conhecimento, pois vi bem de perto e o vivenciei pessoalmente em minha família. Só quem passou ou passa por essa experiência pode dimensionar a verdadeira luta que é enfrentar esta doença. Passamos a atentar para fatos e situações que a grande maioria das pessoas não percebe. Nossa sensibilidade aumenta assustadoramente e passamos a enxergar as coisas com outro olhar. Um olhar mais crítico, apurado e extremamente preventivo. E é este olhar que deveria predominar entre todos aqueles que de alguma forma ocupam cargos, funções e poderes para realizar ações e fazer as transformações necessárias que lhes são atribuídas. A principal delas: "PREVENÇÃO".
“Para isso, cargos, funções e poderes lhes são conferidos.”
E é exatamente buscando sensibilizar essas pessoas que resolvi abordar este grave assunto:
“O aumento do número de novos casos de câncer em nossa cidade.”
Há pouco mais de um ano, fui questionado várias vezes e por várias pessoas sobre alguns problemas que vinham ocorrendo em nossa cidade e já naquela época, a procura das respostas me levaram naturalmente para esse caminho, me levando a constatar que semanalmente tomamos conhecimento de novos casos da doença, fato que já vinha me intrigando e me levaram aos seguintes questionamentos: - Quantos novos casos estão surgindo? - Será que está ocorrendo algum tipo de problema em Bicas que justifique tal fato?
- Qual ou quais seriam estes problemas?
- Como encontrá-los com clareza de dados e informações que o evidenciem?
- Por onde começar?
Comecei então a procurar respostas como quem procura "agulha no palheiro". Verifiquei que seria um duro trabalho em todos os aspectos. Entendi que para conhecer a realidade dos números de ocorrência da doença em Bicas, o melhor caminho a seguir neste início de trabalho seria visitar os postos do PSF de Bicas. Iniciei fazendo um levantamento preliminar dos números da doença no ano de 2008. Os resultados mostraram uma situação preocupante, levando a realizar o "Levantamento sobre Portadores de Câncer em Bicas" com números da doença de 2005 a 2009, com maior gama de informações complementares e maior riqueza de detalhes. Vale ressaltar que nos PSF's, encontrei funcionários e agentes de saúde extremamente comprometidos com seus trabalhos diários e que, ao saberem dos objetivos do levantamento, mostraram-se atentos com a veracidade das informações a serem prestadas. Foram atenciosos, solícitos, prestativos, e envolvidos com a possibilidade de poderem contribuir de alguma forma na busca de ações que possam diminuir a ocorrência da doença em nossa cidade, afinal, todos estão preocupados com a evolução da doença em Bicas. Estando na fase final dos trabalhos, os resultados já obtidos neste levantamento apontam para uma situação preocupante.
Estou também pesquisando quatro ítens que apresentam possibilidades ou indícios (mesmo que muito pequenos) de poderem estar contribuindo para os números do câncer em Bicas (não que apenas estes possam sê-lo). Um entre eles aparece com indícios e sinais que me levam a crer que, no campo da "PREVENÇÃO", espetei o dedo na ponta de uma "agulha neste palheiro".
Em breve, estarei publicando resultados finais para fazermos um debate aprofundado sobre o tema com toda a sociedade.

17 fevereiro 2009

*UM POUCO DE NOSTALGIA NO AR.

Às vezes, necessitamos rever e relembrar o passado para valorizar o presente e assim corrigir trajetórias para conquistarmos um futuro melhor.
Vamos viajar no tempo vislumbrando algumas fotos, marcas de um passado que com certeza faz parte da história de todos nós.
Construção da torre da Igreja Matriz - 1933.
1° Altar da Igreja Matriz São José de Bicas.
Escola Primária Quatro de Novembro - Liceu. Liceu. Escola Primária Quatro de Novembro - Liceu - final da década de 60. SENAI de Bicas. Parcial de Bicas - década de 30.
Parcial de Bicas - década de 60.
1ª Exposição Agropecuária de Bicas, no campo do Leopoldina A. C. - 1972.

07 fevereiro 2009

*CÃES SOLTOS NAS RUAS SÃO TEMA DE DISCUSSÃO NA CÂMARA.

Assunto dos mais comentados nesta semana pelas ruas de Bicas, a discussão dos vereadores ocorrida na Câmara Municipal de Bicas na reunião do dia 02 de fevereiro envolvendo a questão dos animais soltos nas ruas da cidade, em especial, o grande número de cães. Trata-se de questão polêmica, que requer “muita serenidade" para ser abordada. Pelo comentário dos que estiveram presentes a reunião, faltou justamente serenidade na abordagem do assunto. O tema é extremamente complexo e precisa ser debatido com maturidade. Não se pode ser prático. Quando falamos de vidas, seja de qual for o gênero animal, praticidade pode ser um breve e último suspiro separando a vida da morte. Existem leis federais, leis maiores, que disciplinam tal controle. Será preciso um estudo profundo destas leis, o diálogo constante com toda a sociedade, em especial com as entidades protetoras dos animais, para se chegar a uma solução que não seja uma "simples" matança desenfreada. Vamos acompanhar essa discussão na esperança de que ela seja pautada pela serenidade e pela maturidade de nossos legisladores, sentimentos essenciais na vida do ser humano e na defesa de todo ser vivo. Mas por favor, "sem praticidade". Para ilustrar o tema, a seguir publico na íntegra a “DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DOS ANIMAIS”, proclamada pela UNESCO em sessão realizada em Bruxelas, em 27 de janeiro de 1978. Considerando que cada animal tem direitos; Considerando que o desconhecimento e o desprezo destes direitos levaram e continuam levando o homem a cometer crimes contra a natureza e contra os animais; Considerando que o conhecimento por parte da espécie humana do direito à existência das outras espécies no mundo; Considerando que genocídios são perpetrados pelo homem e que outros ainda podem ocorrer; Considerando que o respeito pelos animais por parte do homem está ligado ao respeito dos homens entre si; Considerando que a educação deve ensinar à infância a observar, compreender e respeitar os animais, proclama-se:
Art. 1° - Todos os animais nascem iguais diante da vida, e têm o mesmo direito à existência. Art. 2° a) Cada animal tem direito ao respeito. b) O homem, enquanto espécie animal, não pode atribuir-se o direito de exterminar os outros animais, ou explorá-los, violando esse direito. Ele tem o dever de colocar sua consciência a serviço de outros animais. c) Cada animal tem direito à consideração, à cura e à proteção do homem. Art. 3° a) Nenhum animal será submetido a maus tratos e a atos cruéis. b) Se a morte de um animal é necessária, ela deve ser instantânea, sem dor ou angústia. Art. 4° a) Cada animal que pertence a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu ambiente natural terrestre, aéreo ou aquático, e tem o direito de reproduzir-se. b) A privação da liberdade, ainda que para fins educativos, é contrária a este direito. Art. 5° a) Cada animal pertencente a uma espécie, que vive habitualmente no ambiente do homem, tem o direito de viver e crescer segundo o ritmo e as condições de vida e de liberdade que são próprias de sua espécie. b) Toda modificação imposta pelo homem para fins mercantis é contrária a esse direito. Art. 6° a) Cada animal que o homem escolher para companheiro tem o direito a uma duração de vida conforme sua longevidade natural. b) O abandono de um animal é um ato cruel e degradante. Art. 7° - Cada animal que trabalha tem o direito a uma razoável limitação de tempo e intensidade de trabalho, e a uma alimentação adequada e ao repouso. Art. 8° a) A experimentação animal, que implica em sofrimento físico, é incompatível com os direitos do animal, quer seja uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer outra. b) Técnicas substitutivas devem ser utilizadas e desenvolvidas. Art. 9° - Nenhum animal deve ser criado para servir de alimentação, deve ser nutrido, alojado, transportado e abatido, sem que para ele tenha ansiedade ou dor. Art. 10 - Nenhum animal deve ser usado para divertimento do homem. A exibição dos animais e os espetáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal. Art. 11 - O ato que leva à morte de um animal sem necessidade é um biocídio, ou seja, um crime contra a vida. Art. 12 a) Cada ato que leve à morte um grande número de animais selvagens é um genocídio, ou seja, um delito contra a espécie. b) O aniquilamento e a destruição do meio ambiente natural levam ao genocídio. Art. 13 a) O animal morto deve ser tratado com respeito. b) As cenas de violência de que os animais são vítimas, devem ser proibidas no cinema e na televisão, a menos que tenham como fim mostrar um atentado aos direitos dos animais. Art. 14 a) As associações de proteção e de salvaguarda dos animais devem ser representadas a nível de governo. b) Os direitos dos animais devem ser defendidos por leis, como os direitos dos homens.

27 janeiro 2009

*TURISMO DE BICAS JÁ TEM NOME E ENDEREÇO.

Assim que assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Bicas, Leila Mayrink percebeu a necessidade de incrementar o turismo de nossa cidade: - “O turismo de Bicas precisa ter nome e endereço”, disse. O “endereço” existe e já está aberto a visitas na internet, através do blog do turismo de Bicas, criado para divulgar as belezas de nossa cidade com notícias atualizadas, fotos, principais pontos turísticos, matérias sobre hospedagem, restaurantes, bares e afins. Optamos pelo blog por entendermos ser dinâmico e de fácil manutenção. Quanto ao “nome”, Leila disse que apresentará a proposta ao prefeito e ao COMTUR para a criação do Bicastur, um departamento da prefeitura para se dedicar exclusivamente ao turismo. Além destas iniciativas, Leila pretende apoiar de forma mais efetiva as iniciativas e valorizar ainda mais as propostas do COMTUR – Conselho Municipal de Turismo, além de viabilizar o restabelecimento da participação de Bicas no Circuito Turístico Recanto dos Barões. Em breve, teremos grandes notícias do turismo em nossa cidade. Enquanto isso aproveite para visitar nosso blog no endereço http://bicasturismo.blogspot.com/ Ao finalizarmos nosso bate papo, Leila aproveitou para fazer o convite: - “Participe! Comente as matérias e enviem sugestões. Queremos fazer o melhor para você e para o turismo de nossa cidade!”

18 janeiro 2009

*GABRIEL, SKATISTA DE BICAS, VENCE TORNEIO MIRIM DE SKATE.

Nova pista no terreno da RÊDE.

O campeão da "mirim" Gabriel no skate verde, enfrentando toda a galera de São João Nepomuceno.
Sucesso! Essa palavra resume bem o que foi o 1° Torneio New Style Skateboard realizado no último sábado na nova pista de Bicas, com o público comparecendo em massa para prestigiar o evento. Contando com a participação de skatistas de Bicas, São João Nepomuceno, Maripá de Minas e Juiz de Fora, o público presente pode conhecer de perto o esporte e vibrar muito com as manobras radicais apresentadas nas duas modalidades disputadas – mirim e iniciante. O grande destaque da mirim foi Gabriel, skatista de Bicas, vencedor da modalidade apresentando manobras radicais com perfeição, recebendo a mais alta pontuação da categoria. Na iniciante, o grande vencedor foi Thiago, skatista de Juiz de Fora, apresentando manobras com alto grau de dificuldade e tamanha perfeição sendo imbatível na modalidade. Na breve solenidade de abertura do torneio, aproveitei para relembrar a história do esporte em Bicas e as dificuldades enfrentadas para chegar ao nível de hoje: * pista de concreto definitiva construída; * associação dos skatistas criada e funcionando ativamente; * primeiro torneio oficial; * grandes destaques do esporte despontando em nossa cidade (Felipe, Gabriel, Leonardo e outros); * juventude sendo priorizada pela prefeitura, que tem agora um Diretor para discutir e defender políticas públicas para essa galera. Enfim, fiquei emocionado ao ver as arquibancadas cheias.
Aproveitei também a oportunidade para agradecer ao Prefeito Honório de Oliveira por ter acreditado na proposta e investido no skate de Bicas, demonstrando claramente sua preocupação em oferecer novas oportunidades de lazer para a juventude biquense. Ao relembrar as dificuldades de outras épocas e as conquistas de hoje, resumi o sentimento de todos em uma única palavra – "sensibilidade", virtude que, ao contrário de outros prefeitos, não faltou ao Prefeito Honório para que este sonho se realizasse.
Público acompanha as manobras com atenção.
Bastante feliz com o sucesso do evento, o Prefeito Honório de Oliveira afirmou que o torneio é a prova de que a prefeitura deve sempre investir no esporte e acreditar no sucesso do skate em Bicas. Parabenizou a todos pela organização do evento e prometeu que espera terminar em breve as obras da pista para realizar uma grande festa de inauguração, com grandes disputas, além de um torneio de grafite. Aproveito para parabenizar a Fabrícia, Presidente da ASB - Associação dos Skatistas Biquenses, o Diretor de Juventude Jaílson, o Secretário Municipal de Cultura, Alex Mendes e a Secretária de Desenvolvimento Econômico e Turismo Leila Mayrink. Parabéns a todos. Que este seja o primeiro de muitos outros torneios. Sucesso aos skatistas biquenses!
Show de habilidade da garotada.

Público acompanhou duranteo dia inteiro.

14 janeiro 2009

*BICAS JÁ TEM NOVA SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E TURISMO.

Seguindo o processo de montagem de sua nova equipe de governo, o Prefeito Honório de Oliveira nomeou Leila Mayrink Secretária de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Bicas. Leila obteve grande destaque em nossa cidade ao elaborar, desenvolver e colocar em prática, um dos mais belos projetos do Governo Lula, o Compra Antecipada com Doação Simultânea, que beneficiou inúmeros produtores rurais e distribuiu alimentos para todas as entidades prestadoras de serviços de assistência social em Bicas. Leila já possuía uma longa história de trabalhos voluntários em nosso município, seja em pastorais como a Pastoral da Criança ou no apoio às associações como a APROBIR - Associação dos Pequenos Produtores de Bicas e Região, Associação de Moradores do Bairro Gilson Lamha e ART'BICAS - Associação dos Artesãos. Graças a sua capacidade de elaborar e desenvolver projetos, Leila obteve o reconhecimento público e com isso a confiança do Prefeito Honório de Oliveira. Entre outras atribuições, Leila irá elaborar novos projetos para o município e fará o acompanhamento dos mesmos, além do grande desafio de desenvolver o turismo em nossa cidade. Com a simplicidade de sempre, Leila nos disse: -"assumo este novo desafio com coragem e determinação". Estaremos torcendo por seu sucesso na certeza de grandes conquistas para o nosso município.

10 janeiro 2009

*TORNEIO DE SKATE EM BICAS!

Nova pista de skate de Bicas, no terreno da antiga rede ferroviária, próximo ao campo de futebol.
No próximo sábado, dia 17 de janeiro, na nova pista de skate de Bicas, a galera que pratica ou aprecia o skate terá uma grande oportunidade de acompanhar manobras radicais em uma grande competição entre skatistas de Bicas e região. Neste dia acontecerá o torneio New Style Skateboard, com baterias entre competidores mirins e iniciantes, além de sensacional demonstração da equipe new style. O torneio contará com o apoio da loja New Style Skateboard, de São João Nepomuceno e das lojas Som Livre, Pequerrucha Modas, Loja da Guta, Buffet D'Angeles, Bicho de Pé Sucos, Erokiller, Relojoaria Granado, Sarchis, Casas São Judas Tadeu, Opção Modas, Supermercado Santo Antônio - Rede Super Mais, Zigal Bijouterias e Acessórios, Lojão de Bicas, Sasquatch Tatoo e Alhadas Gás, que contribuirão com a premiação do evento, além do apoio da COPASA, que fornecerá água para todos os participantes. A organização será da Prefeitura Municipal de Bicas, através da Secretaria de Cultura. Se você é fã do esporte, vá conferir! Será no próximo sábado, a partir das 10 horas da manhã na nova pista de skate, próximo ao campo e à quadra da rede ferroviária, no centro de Bicas. Não perca! Você vai gostar!

02 janeiro 2009

*POSSE DOS ELEITOS.

O primeiro dia do ano de 2009 foi marcado pela posse dos novos prefeitos e vereadores eleitos. Em Bicas, o Prefeito Honório de Oliveira, reeleito para o seu segundo mandato, tomou posse junto a seu vice Wolnei Sarto numa cerimônia marcada de simplicidade e coerência. Em seu discurso, Honório lembrou de como havia recebido a prefeitura a quatro anos atrás e de como está a prefeitura hoje: contas em dia, pagamentos dos funcionários e fornecedores em dia, respeito ao cidadão, tudo isso resumido numa única palavra - credibilidade. Graças a isso, quebrou um tabú sendo o primeiro prefeito reeleito de Bicas. Disse: -"Agardeço ao ex- vice-prefeito Amarildo Mayrink, com quem divido o sucesso de meu primeiro mandato. Faço questão de destacar sua grandeza ao colocar o interesse coletivo acima do interesse pessoal, quando abriu mão de seu direito de candidatura como vice-prefeito no único objetivo de fortalecer nosso grupo político com a vinda do PMDB, numa clara demonstração de total desapego a cargos ou posições na política. Só os grandes e verdadeiros homens públicos teem este despredimento e esta coragem".
A destacar a posse de vários prefeitos eleitos pelo PT em nossa região: Vadinho Baião, ex-deputado federal, eleito para administrar o município de Ubá; Dra. Cida, que irá administrar o município de Piraúba; Jorge Luiz, reeleito para administrar o município de Tabuleiro; Itiberê, reeleito para administrar o município de Chiador; Zé Xavier, reeleito para administrar o município de Guarani e Luiz Carlos, que irá administrar o município de Matias Barbosa. Além destes, o PT participou de coligações vencedoras em São João Nepomuceno e Bicas, é claro.
A destacar também a posse de Roberto Carvalho, meu amigo pessoal, ex-deputado estadual do PT e agora Vice-Prefeito de Belo Horizonte junto com o Prefeito Márcio Lacerda.
A todos, nosso desejo é de sucesso na nova caminhada.

*FELIZ 2009!

Aos amigos leitores, visitantes deste blog, venho desejar um feliz 2009 cheio de paz e harmonia. Que nossos lares, famílias e que nossa cidade viva um ano de prosperidade e de grandes conquistas. Abraços a todos e a todas.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...